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O diferencial da advocacia orgânica

Foto do escritor: Nadú Thiago
Nadú Thiago
25 de ago. de 2019
3 min de leitura

Também chamada de artesanal, essa forma de atuação alça os humanos em conflito ao posto de protagonistas, em parceria com seus procuradores e demais envolvidos



Vivemos um tempo marcado pelas severas mudanças nas relações humanas. A tecnologia informacional tem possibilitado o surgimento de novos formatos de disseminação de conhecimentos e conteúdos produzidos. Provocando, dessa forma, um verdadeiro caos com as crises de confiabilidade em diversos campos de atuação profissional. Por vezes os campos de investigação da ciência moderna são banalizados, seja pela via do livre acesso de conteúdos, desqualificador e imprudente, ou ainda numa outra faceta, os feixes, objetos da investigação científica de uma determinada área do conhecimento, somente obtém repercussão geral se submetidos à delimitação como nichos de mercado, apresentados assim como a pedra filosofal de salvação aos diversos profissionais e públicos alvo, leia-se clientes. Diversos são os exemplos, aqui fracionarei a reflexão dedicada, de modo bastante incipiente, ao saber jurídico.


É sabido que fazemos parte de um caminho sem volta, afinal a engrenagem da economia de mercado pede passagem em prol de conceitos demasiadamente mercantis, como a eficiência produtiva e a segurança jurídica em todas as áreas. Sobre o mote da busca incansável pela garantia de uma vida mais qualificada e segura para todos, lançamos mão de uma parafernália produzida para nos encaixotarmos em moldes restritos, formatados em poucas possibilidades de enquadramentos. Afinal não há mercado saudável sem previsibilidade produtiva, lastreável.


No ramo do Direito vivenciamos a batalha dos precedentes judiciais, a massificação de atendimentos e o império das decisões reiteradas automaticamente, realidades que por diversas vezes, lançam um holofote nos objetos inanimados, deixando num segundo plano o componente humano. Os conflitos humanos e as normas jurídicas, regramentos, são originados por incongruências ligadas às formas de se ver e se relacionar com o mundo externo. Então resta nítida a incapacidade de antecipação plena ou enquadramento justo para traçar soluções aos conflitos humanos que passem por algoritmos, redes neurais, inteligência artificial. Tais redes de conexão e modelagens aplicadas sequer tocam a superfície das nossas infinitudes e limitações.


Somos seres racionais e somos formados a partir de latentes questões, interesses diversos e sentimentos densos. Essa fórmula complexa, criptografada em nós mesmos, não pode, salvo melhor juízo, ser desvelada por elaborados cálculos matemáticos. A massificação processada atualmente no campo jurídico está associada ao nicho de mercado voltado para o público pouco abastado, de baixo poder aquisitivo, em relação de hipossuficiência clara e incontestável. Também cuida, essa massificação, de temas sem o revestimento da essencial conflituosidade humana. Não fosse assim estaria caindo por terra a arbitragem artesanal, voltada para a composição ilhada das partes que não aceitam submeterem-se aos enquadramentos pré-estabelecidos e massificados, opção bastante marcante no ramo empresarial. Também não toca, em certa medida, os conflitos familiares, tendo em vista o caráter sentimental dessas causas, eis algumas das limitações inerentes à pedra filosofal citada.


Diante de tamanha limitação surge a necessidade de construirmos ou reforçarmos uma outra via. A via da Advocacia Orgânica. Tudo o que é orgânico remete ao desenvolvimento dado por elementos naturais, sem adições mercadológicas artificiais. Também chamada de artesanal essa forma de atuação alça os humanos em conflito ao posto de protagonistas, em parceria com seus procuradores e demais envolvidos. Não há, nessa forma de relação, peças processuais semiprontas, em formulários positivistas que causam danosa cegueira, desprovida de inteligência real. Não há o aproveitamento de lides passadas, salvo pelo objetivo de trazer à luz o nobre direito pleiteado, procedente e recorrente.


Na Advocacia Orgânica cada caso, direito e individuo são unos, trazidos ao mundo real e jurídico pelas mãos unidas dos advogados e das partes. Não há que se falar em metas surreais e gráficos de produtividade ou eficiência mercadológica a qualquer custo, quando tratamos da vida das pessoas, de seus negócios e de suas visões de mundo. Cada um de nós é único, merecemos a personalização, dedicação e estudos vindos dos profissionais que cuidam das causas. Assim deve prevalecer o tratamento aos conflitos de todos, desde o primeiro atendimento, passando pelo processo de conhecimento à liquidação de sentença. Dá-se outro sabor à causa e à advocacia. Construindo com muitas mãos os reais deferimentos. Vamos juntos.


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